Crenças Limitantes - A Crença do Merecimento: Uma Análise Científica e Profissional
- Hellenna Santos

- 9 de fev.
- 2 min de leitura

As crenças limitantes são padrões mentais que restringem nosso potencial, moldando comportamentos e decisões de forma inconsciente. Entre elas, a crença do merecimento ocupa um lugar central: trata-se da convicção de que não somos dignos de receber sucesso, amor, prosperidade ou reconhecimento. Essa crença, muitas vezes invisível, pode sabotar carreiras, relacionamentos e projetos pessoais.
Do ponto de vista psicológico, Albert Ellis, criador da Terapia Racional Emotiva, já destacava que pensamentos irracionais moldam emoções e comportamentos. A crença de “não mereço” é um exemplo clássico de pensamento disfuncional que gera ansiedade, procrastinação e autossabotagem. Aaron Beck, pai da terapia cognitiva, também reforçou que crenças nucleares negativas influenciam diretamente a forma como interpretamos o mundo e a nós mesmos.
A psicanálise, por sua vez, com Freud e posteriormente Lacan, trouxe à tona a ideia de que o inconsciente carrega marcas da infância que moldam nossa percepção de valor próprio. Muitas vezes, experiências de rejeição ou críticas severas internalizadas se transformam em narrativas de desmerecimento que persistem na vida adulta.
Do ponto de vista da neurociência, estudos sobre plasticidade cerebral mostram que crenças não são imutáveis. Pesquisadores como Carol Dweck, com sua teoria do mindset, demonstram que é possível substituir crenças fixas por crenças de crescimento. Isso significa que a percepção de merecimento pode ser reconstruída por meio de práticas conscientes, como reestruturação cognitiva e reforço de experiências positivas.
Na filosofia, pensadores como Immanuel Kant já refletiam sobre dignidade e valor intrínseco do ser humano. A crença de que não merecemos algo contradiz essa visão, pois todos possuem valor em si mesmos, independentemente de conquistas externas. Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, reforçou em sua obra Em busca de sentido que o ser humano encontra propósito e dignidade mesmo em meio ao sofrimento, mostrando que o merecimento não depende de circunstâncias externas, mas de uma postura interna diante da vida.
No campo da psicologia positiva, Martin Seligman destaca que cultivar gratidão, otimismo e propósito fortalece a percepção de merecimento. Quando reconhecemos nossas conquistas e virtudes, criamos evidências internas que combatem narrativas de desvalor.
Em ambientes corporativos, a crença do merecimento pode ser vista em profissionais altamente competentes que não se candidatam a promoções por acreditarem que “não são bons o suficiente”. Esse fenômeno é estudado como síndrome do impostor, conceito trabalhado por Pauline Clance e Suzanne Imes, que mostra como indivíduos talentosos podem se sentir fraudulentos, mesmo diante de evidências objetivas de competência.
Superar a crença limitante do merecimento exige um processo de autoconhecimento, reflexão e, muitas vezes, acompanhamento terapêutico. Técnicas como terapia cognitivo-comportamental, mindfulness e escrita reflexiva ajudam a identificar padrões mentais e substituí-los por narrativas mais saudáveis. O ponto central é compreender que merecimento não é uma recompensa externa, mas um reconhecimento interno de valor e dignidade.
Ao integrar psicologia, filosofia e neurociência, percebemos que a crença do merecimento é uma construção mental que pode ser desconstruída e ressignificada. O ser humano, por sua própria condição existencial, é digno de amor, sucesso e realização. Reconhecer isso é o primeiro passo para libertar-se das amarras invisíveis que bloqueiam o crescimento.







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